segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Açudes começam a sangrar no município de Ouro Branco - RN

Com as chuvas registradas no Seridó nas últimas semanas, alguns açudes localizados no município de Ouro Branco atingiram a capacidade máxima e estão sangrando.

A comunidade Aroeiras amanheceu com o barulho da sangria de três açudes. Nesta localidade já choveu aproximadamente 350 mm, só nos últimos três meses. Com as sangrias dos açudes, a fartura de peixes é imensa. Em alguns sangradouros da até para pescar com a mão, devido a quantidade de peixes que tentam subir as águas para a desova.

Açude dos Severianos
Açude das Aroeiras
Açude de Quinca Frade
Fotos: Zulamar

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O BOI ZEBU E AS FORMIGAS


          UM DOS MAIORES POETA NORDESTINO DE TODOS OS TEMPO     

(Patativa do Assaré)

Cenário de Patativa do Assaré
Muita gente ainda confunde poesia matuta com Literatura de Cordel. Em 2009, ano do Centenário de nascimento do poeta Patativa do Assaré, considerado o maior expoente do gênero, os admiradores do poeta precisam fazer essa distinção. Patativa, ao longo de sua vida, escreveu e publicou cerca de vinte folhetos de cordel.

Dentre os quais destacam-se: "Abílio e seu cachorro Jupi", "A morte de Arthur Pereira envenenado por sua filha Francisca Amélia", "Aladim e a lâmpada maravilhosa", "O Padre Henrique e o dragão da maldade", dentre outros, todos em linguagem correta, como é prática comum nesse gênero desde os tempos de Leandro Gomes de Barros. O grosso de sua produção, contudo, são poemas matutos, onde a linguagem procura reproduzir o modo de falar dos sertanejos de outrora, como se pode ver nesta obra a seguir:                                                                                                                                                 Um boi zebu certa vez
Moiadinho de suó,
Querem saber o que ele fez
Temendo o calor do só
Entendeu de demorá
E uns minuto cuchilá
Na sombra de um juazêro
Que havia dentro da mata
E firmou as quatro pata
Em riba de um formiguêro.

Já se sabe que a formiga
Cumpre a sua obrigação,
Uma com outra não briga
Veve em perfeita união
Paciente trabaiando
Suas foia carregando
Um grande inzempro revela
Naquele seu vai e vem
E não mexe com mais ninguém
Se ninguém mexe com ela.

Por isso com a chegada
Daquele grande animá
Todas ficaro zangada,
Começou a se açanhá
E foro se reunindo
Nas pernas do boi subindo,
Constantemente a subi,
Mas tão devagá andava
Que no começo não dava
Pra de nada senti.

Mas porém como a formiga
Em todo canto se soca,
Dos casco até a barriga
Começou a frivioca
E no corpo se espaiado
O zebu foi se zangando
E os cascos no chão batia
Ma porém não miorava,
Quanto mais coice ele dava
Mais formiga aparecia.

Com essa formigaria
Tudo picando sem dó,
O lombo do boi ardia
Mais do que na luz do só
E ele zangado as patada,
Mais força incorporava,
O zebu não tava bem,
Quando ele matava cem,
Chegava mais de quinhenta.

Com a feição de guerrêra
Uma formiga animada
Gritou para as companhêra:
Vamo minhas camarada
Acaba com os capricho
Deste ignorante bicho
Com a nossa força comum
Defendendo o formiguêro
Nos somos muitos miêro
E este zebu é só um.

Tanta formiga chegou
Que a terra ali ficou cheia
Formiga de toda cô
Preta, amarela e vermêa
No boi zebu se espaiando
Cutucando e pinicando
Aqui e ali tinha um moio
E ele com grande fadiga
Pruquê já tinha formiga
Até por dentro dos óio.

Com o lombo todo ardendo
Daquele grande aperreio
zebu saiu correndo
Fungando e berrando feio
E as formiga inocente
Mostraro pra toda gente
Esta lição de morá
Contra a farta de respeito
Cada um tem seu direito
Até nas leis da natura.

As formiga a defendê
Sua casa, o formiguêro,
Botando o boi pra corrê
Da sombra do juazêro,
Mostraro nessa lição
Quanto pode a união;
Neste meu poema novo
O boi zebu quê dizê
Que é os mandão do podê,
E as formiga é o povo.
cultura nordestina.      Patativa do assare

ORILO DANTAS DE MELO-Poeta Ourobranquense- é citado em artigo de revista virtual. Leia.

Blog Genildo Medeiros – Fragmentos de textos

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Poeta Orilo Dantas de Mello – Foto CAVOB
Do Sertão ao Mar, Orilo Dantas, Rachel de Queiroz e Fernando Pessoa: sujeitos e espaços na escrita literária
por Abnele de Queiroz Ramalho, Jossefrânia Vieira Martins e José Mário Dantas - www.historiaehistoria.com.br
Fragmento do texto
A oiticica é metáfora de um espaço construído através das lembranças e dos sentimentos das pessoas que circulam nesse lugar. Há um conjunto de cenas, de tramas e de relações nesse panorama natural. Ao analisarmos de uma maneira sucinta, a obra Os Ramos da Minha Oiticica[7] do poeta popular Orilo Dantas, podemos verificar um olhar atento de alguém que suspira e respira a vida como ela realmente foi, através de lugares comuns  que deixam fragmentos e peças como esboços culturais.
O  poeta é um agente retransmissor de tudo isso, mesmo que não exista mais o espaço praticado anteriormente, suas lembranças estão sobrevivendo ao tempo nas linhas ondulosas de uma poesia que trabalha a alma da natureza, o “eu preocupado” e a dor temerosa da perda. O sujeito inscreve o espaço na linha do tempo, nas palavras escritas se encontra o gesto límpido da memória, o traço da inquietude, da sensibilidade que flecha a realidade.
Uma árvore é o relicário de uma saudade, as imagens vagueiam pela mente no olhar que a fita, que a institui poeticamente externando uma lembrança coletiva que já não é apenas sua, mas da memória de indivíduos que ora praticavam ou sentem esse espaço pulsar dentro de si. Versar a oiticica é rimar a história e apropriar-se da memória, é representar a si mesmo construindo um rosto comum em um lugar comum[8].

Observação: os autores deixam como registro de referência – sob os autores:
[7] As obras de Orilo Dantas foram publicadas no formato de Cordel e precariamente, portanto sua bibliografia não se encaixa na forma ABNT.

I CONCURSO DE SANFONEIROS DE SÃO JOSÉ DO SERIDÓ

Fotos Carlos Felipe

Amazan sendo entrevistado

 
 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dia 12 tem cantoria no Quisque do Fabiano

No próxino dia 12 de março será realizado uma cantoria realizado pelo Clube dos Apologistas da Viola de Ouro Branco. Os violeiros que irão abrilhantar o evento são Louro Branco e Raimundo Lira. A cantoria terá inicio às 20h, no Qiosque do Fabiano, na Praça Aluizio Alves.

Não Percam mais um evento do CAVOB.

CIZA CANTANDO EM ACARI FESTA DO RADIOAMADORISMO DO RIO GRADE DO NORTE ESSE VIDIO TEM 6 M MAIS SO EZIBE 1 MINUTO

video

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

NAO VAI MAIS TER CANTORIA NO SABADO

O clube dos apologistas da viola de ouro branco e
Os amantes da poesia  por motivo superio avisa,
não vai mais ter a cantoria neste sábado na praça
Mais foi marcada para dia 12 de marco na praça 
Com os violeiros louro branco e Raimundo lira      

SEGUNDA PARTE: testamento do Judas de 1962

O testamento de Judas, para quem não conhece, nada mais é que um cordel. Veja trechos do Testamento do Judas de Ouro Branco, no ano de 1962, escrito pelos poetas Orilo Dantas de Melo e Manoel Bernadino.
http://www.ringue.blogger.com.br/pergaminho.jpg
 IX
O lenço deixo pra Zé Mago
cinturão a Zé Tomé
esta gravata bacana
com gosto dou a André
Leto sei não aperreias
te deixo meu par de meias
já comidos de chulé

X

Sapatos a Antônio Chico
porque assim me convêm
as ligas para Maurílio
a quem amo e quero bem
vai no bolso da cueca
um baralho de sueca
este é pra Pedro Cem

XI

O sítio deixo a Justino
alma caridosa e boa
talvez nesta hora esteja
coitado vagando a toa
sentindo pena de mim
viajou a João Pessoa

XII

Ao caro Manoel Nogueira
cidadão de muita linha
eu entrego minha casa
da sala até a cozinha
tambem pra Manoel Raposa
chaleira pra qualquer coisa
até deitar galinha


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Paulio gondin um poeta nordestino em sao paulo

Quando vejo um cantador,
Com a viola na  mão
Tirando versos no pinho,
Do fundo do coração,
Da uma vontade danada
De botar o pé na estrada
E voltar pro meu sertão

IMPROVISOS DE IVANILDO VILA NOVA

Eu já fui igualmente um samurai
Porem vi se quebrando minha coluna,  
Que a volta no jogo da fortuna,
Pois a gente não sabe aonde cai,
Eu fui filho, fui noivo, hoje sou pai,
Já fui neto, e já hoje sou avo,
E o relógio do tempo não quebrou,
Porem deu um defeito no seu pino.
Eu já tive nas mãos o me destino,
Mais agora eu não sei pra onde vou
                   
No meu peito explodio a dinamite,        
Vejo o mundo mostrar como e que vive,
Com os dois casamentos que eu jaz tivi,
mais eu sei que a terceira e o limite,      
A primeira mulher deu o desquite,        
A segunda também me abandonou,      
Eu sou velho pra ser um gigolo,            
Pra casar outra vez suo um menino,       
Eu já tive nas mãos o meu destino,          
Mais agora eu não sei pra onde vou.          

O que é Caminhos Comunicação & Cultura?

Um grupo de produtores culturais formado por amigos com planos e sonhos em comum... Iniciou suas atividades em 2006 com a produção do documentário “Com quantas ave-marias se faz uma santa?”. Na seqüência, realizou o documentário ficcional “Mais que um filme legendado”, um projeto de inclusão da comunidade surda no audiovisual. A partir de então, a equipe já realizou 8 projetos patrocinados pelo Banco do Nordeste, voltado para regiões de difícil acesso aos meios de produção cultural, promovendo a cultura e compartilhando conhecimento.

Projetos já realizados pelo Grupo:
2006 – Documentário “Com quantas ave-marias se faz uma santa?”
2007 – Concurso Fotográfico “Um olhar sobre a cultura potiguar”
2008 – Documentário ficcional “Mais que um filme legendado”
            I Semana BNB de Oficinas Culturais (Santa Cruz/RN)
            Concurso Fotográfico “Um olhar sobre a cultura popular nordestina”
2009 – “Olhar Cultural Oficinas de Fotografia”
            Ciclo de oficinas “Um olhar sobre a serra”
2010 – II Semana BNB de Oficinas Culturais (Angicos/RN)
Curta Mossoró (Mossoró/RN)
2ª edição do concurso fotográfico “Um olhar sobre a cultura popular nordestina”
2ª edição do “Olhar Cultural Oficinas de Fotografia”
Projetos em andamento:
Produção da III Semana BNB de oficinas culturais (Caiçara do Norte/RN)
Produção do documentário “Música Potiguar Brasileira”

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MULHER DE DOIS MARIDOS POEMA DO POETA LOURO BRANCO

   Poesia popular com louro branco um dos trabalhos do poeta        
http://www.pbnoticias.com/images/fotos_p2_news/1260405478.jpg
Louro Branco

A mulher de dois maridos
tem gente que faz
um pedido e vem menor
se depois pedir maior
ai vem grande demais
dois tamanhos desiguais
um perto pra os encolhidos
o outro da nos compridos
um cresceu, outro encolheu
com a mulher dos dois maridos

Zefa fez no seu terreno
na rua do cabaré
dois prédios forma chalé
se juntou com zé moreno
o rapaz meio pequeno
com pinta de bom mulato

só que na cama foi chato
zefa diz que zé moreno
tem o negocio pequeno
do mesmo jeito dum pato
Zefa  ficou sem gostar
querendo mais comprimento
perguntou pra DR Bento
tem um jeito de aumentar


disse o Dr , se estirar
vai ser coisa muito pouca
Zefa falou quase louca
fica tão bom se crescer
Dr e triste comer
sem sentir nada na boca

Zefa não desprezou zé
mais ficou com muita pena
achando a colher pequena
pra mexer no café
lembrou do outro chalé
falou um só deu pior
com outro macho é melhor
embora a feira não venha
mas possa ser que ele tenha
um material maior

Zefa no segundo laço
conquistou Picasso Gomes
disse dois, machos , dois nomes
cada um faz um pedaço
agarrou logo Picasso
botou no outro chalé
combinou tudo com zé
pra não ter briga depois
foi morar com todos dois
na rua do cabaré

Zefa falou logo assim
que com dois eu faço
uma noite  e de Picasso
a outra noite e de zé
mais de noite ela deu fé
que tinha peso no gás
Zefa pinotou pra traz
na hora  do tapa oco
gritando se zé tem pouco
esse imoral tem demais

Picasso ainda se mexeu
pra fazer amor bonito
só que zefa deu grito
que o colchão amoleceu
vestiu a roupa e correu
pra não perder o embalo

foi ver seu irmão Gonçalo
e disse assim meu irmão
eu nunca fui egua não
mais arrumei um cavalo
Zefa depois do cansaço
foi falar com Dr Bento

doutor eu me arrebento
se for transar com Picasso
me ajuda doutor bento
o outro tem dez por cento
esse tora  qualquer fato

o zé herdou a do gato
e Picasso a do jumento
o doutor só favor
disse vou fazer de graça
como você quer que faça
eles num sentem nem dor

Zefa disse seu doutor
corte sem ele dar fé
um palmo acima do pé da
tubiba de Picasso
e depois pregue o pedaço
na tubiba do zé

se aprovar tudo em paz
casada de dois maridos
quenga que tem dois queridos
moça com dois desiguais
um pouco e outro demais


num a do gato mimoso
no outro a do jegue fogoso
corte a ponta da maior
pregue a tora na maior
que fica tudo gostoso