terça-feira, 22 de março de 2011

Tradições Brasileiras:malhação e Testamento de Judas

 
http://3.bp.blogspot.com/_BZl3tvHtewQ/S7fslqNzOkI/AAAAAAAAAfY/ACUQuPPiHkE/s400/judas_malha%C3%A7%C3%A3o.jpgOs sábados de Aleluia da minha infância eram esperados com ansiedade por adultos e crianças. O silencio sepulcral e o clima pesado da Sexta-Feira Santa estavam nos estertores,quando,batendo ás 10 horas da manhã, os sinos repicavam alegremente, rompendo a aleluia. As ruas se enchiam de garotos semi nus batendo panelas velhas e cantando: "Aleluia,aleluia Comida no prato, Farinha na cuia, Embora, para muitos deles, só restasse mesmo a farinha. A noite nos reservava o melhor: a queima do Judas. Originário da tradição portuguesa, esses bonecos de palha ou de pano, rasgados e queimados furiosamente em praça pública, representavam a eliminação do Mal, alijado pelo fogo,banido da sociedade cristã;soltavam-se fogos coloridos,rojões,enquanto o populacho,em delírio,cantava e dançava. Hoje, quase mortas nas grandes cidades, essa tradição persiste nas pequenas cidades do Interior, onde ainda vivem as lembranças do passado,nossa memória atávica. Desde tempos imemoriais, na Península Ibérica, segundo os estudiosos Frazer e Mannhardt,registraram-se esses ritos próprios das festas da alegria nas proximidades do equinócio do verão,principio ou fim das colheitas,para afastar os maus espíritos. No Brasil, terra irreverente pela própria natureza, inventou-se o Testamento do Judas, lido durante o seu julgamento.Esse escrito,geralmente uma sátira a pessoas ou acontecimentos locais, fica no bolso do boneco e alguém espirituoso lê para a multidão.Eis um exemplo de um destes testamentos: Judas deixa seu burro para o prefeito da cidade e outras pessoas gradas,locais: Aí vai a cabeça Pro prefeito Zé Monteiro A que ele tem não presta, a do burro vale mais dinheiro; Um pedaço do meu burro Vai prá Maria Padeira Ela ta necessitada Pois lhe morreu o padeiro; E, por aí vai,com versos de pé quebrado e cheio de insinuações. Não queimei Judas nenhum, mas,fiz um pequeno testamento doando alguma coisa para políticos conhecidos: Para o senador Sarney, Que não tenho o que deixar; Deixo óleo de peroba Para a cara ele lavar. Para o Lula, presidente Que é malhado todo dia Por não ser homem letrado, Vou deixar tudo arrumado: Deixo minha biblioteca, pois lá tem livro á beça, ninguém mais lhe arrelia. Para o Serra,atucanado pelo Pê Esse Dê Bê deixo-lhe esse conselho para abestado não ser. Desista da presidência Pois você tem ciência Qu'isso não vai acontecer. Para a Dilma,que fagueira Alimenta uma esperança. Tome cuidado,criança pois pode se enxofrá. O líder é o Lula Você entra nessa festa Com garra e muita gula Mas,sem roupa para bancar. Pro Aécio,bom menino Mineirin' bem aprumado Mesmo bem avaliado Tucano bicou você. Mas,não perca as esperança Se fizerem uma lambança Na Brasília de Arruda, Tanto Dilma como Serra. Se o pais se ferra, Você deve entrá na fila. Ai,ninguém lhe derruba.

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